quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

OSCAR: Melhor Atriz Principal - 2014





Reese Witherspoon
Livre
(Wild)

Visão Geral: A performance de Reese Witherspoon em Wild é um estranho caso, não tão raro, mas decepcionante, de uma atuação que parece perfeita, mas que se olharmos bem de perto, encontramos mais defeitos do que imaginávamos. Batendo o olho, Reese está crível: com ótima caracterização, com beleza amadurecida para o tipo de papel e convence até certo ponto nos flashbacks. Mas terminando o filme, o que senti foi nada, nenhuma compaixão pelas tragédias da vida da personagem, nem condescendência por suas escolhas. A atriz, o filme e o roteiro não passam a dimensão dos dramas da personagem, nem qual é a conexão dela com a natureza e seu encontro com a liberdade. Witherspoon e o diretor de Livre merecem crédito pelo engajamento, nunca fazendo da história melodramática demais, nem deixando a personagem parecer apenas mais uma mimada, mas o filme como um todo foge do público, que fica tentando encontrar seu papel numa experiência cinematográfica decepcionante.



Rosamund Pike
Garota Exemplar
(Gone Girl)


Visão Geral: É verdade que um novo filme de David Fincher sempre empolga, principalmente porque ele é um dos melhores diretores modernos, mas que até hoje não foi reconhecido pela Academia. Seus melhores filmes, Se7en, Zodíaco e A Rede Social foram esnobados e agora só resta a dúvida se ele realizará mais algum filme que mereça ser premiado. Ainda mais que, por mais que Garota Exemplar tenha seus momentos, nunca nos empolga a ponto de dizer que seja merecedor de óscar. No final das contas, a única indicação para o filme, talvez seja a que realmente é a mais merecida, já que Rosamund Pike entrega a melhor atuação do filme. O que mais gosto em sua performance é como ela chega de mansinho, com uma sensualidade completamente cativante, para se transformar no já famigerado sociopata dos filmes de Fincher. Seus momentos mais sanguinários são vibrantes e inesquecíveis e te deixam pensando na performance por um bom tempo. Mas, como nem tudo são flores, há inconsistências na performance que prejudicam a avaliação no geral. Amy, a personagem de Pike, é escritora de livros infantis e a atriz falha em estabelecer a conexão da personagem com sua própria arte. Outra coisa que incomoda é a relação de Amy com o personagem de Ben Afleck, com uma química que não justifica a paixão inicial e o ódio conseguinte. O jeito é rever Garota Exemplar qualquer dia e concluir se esses empecilhos ainda me incomodarão ou não, por enquanto Pike é quatro estrelas, mas tudo pode mudar.




Felicity Jones
A Teoria de Tudo
(The Theory of Everything)
★★★★

Visão Geral: O tipo de personagem que Felicity Jones interpretou em A Teoria de Tudo garante indicação ao óscar desde que a Academia é Academia. Como esquecer a errada indicação de Teresa Wright por Ídolo, Herói e Amante? E a questionável vitória de Jennifer Connelly por Uma Mente Brilhante? E a fraude de categoria cometida com Marcia Gay Harden em Pollock? A verdade é que a esposa que apoia seus maridos comove os velhinhos da Academia. Mas é bom distanciar o bom do ruim: enquanto Wright faz nada além de sorrir em seu filme, Harden entrega uma atuação brilhante que faz um filme ruim parecer indispensável; enquanto Connelly está oscilante em seu filme, Felicity Jones está certeira em sua abordagem. Sim, é verdade que A Teoria de Tudo tem suas falhas, mas as atuações principais estão longe de ser uma delas, porque além da incrível personificação de Eddie Redmayne, temos Jones numa atuação delicada e sútil, mas com momentos inacreditáveis de pura comoção. Como esquecer a cena em que sua personagem se declara para Stephen? Ou a cena em que explica a teoria em seu lugar? Jones nunca deixa o filme ou Redmayne apagarem sua presença, reafirmando-se como uma co-protagonista de respeito e da qual o filme necessita para funcionar. Provavelmente a menos gostada pelo público geral, mas que pra mim é uma das melhores do ano.




Julianne Moore
Para Sempre Alice
(Still Alice)
★★½

Visão Geral: Pela minha foto de perfil e meu amor por sua performance em Longe do Paraíso, é claro ver que Julianne Moore é uma das minhas atrizes favoritas. Há tempos espero justiça sendo feita e vê-la enfim premiada. É verdade que competir com Marion Cotillard no auge do seu talento é dureza, o que a própria Moore admite, mas, diferente do que alguns andam dizendo, sua vitória será sim merecida e lembrada como uma das boas escolhas da Academia. Mesmo com Pike num papel que ganha fãs com facilidade, e que com certeza é a favorita do público em geral, Moore e Cotillard entregam performances mais consistentes e merecedoras. Pra Sempre Alice é um filme mediano, com direção pouco confiante e que se apoia completamente em Moore para deixar o filme acontecer. O maior mérito da atriz é conseguir fazer com que tudo funcione, porque até os atores coadjuvantes parecem pouco empolgados em fazer das relações de seus personagens com Alice algo crível. Moore faz todo o trabalho, numa personificação incrível, nos fazendo crer tanto na doença quanto nos seus sentimentos. Sem contar que sua abordagem nunca opta pelo melodramático, e mesmo assim nos comove deliberadamente, principalmente na cena do vídeo, que é arrasadora e provavelmente a melhor entre todas as candidatas.




Marion Cotillard
Dois Dias, Uma Noite
(Deux jours, une nuit / Two Days, One Night)

Visão Geral: Chegamos então a melhor atriz desta geração na que é a sua segunda indicação. Marion Cotillard já era para estar com pelo menos 5 indicações no bolso, mas todas as atrizes internacionais indicadas ao óscar nunca passam de duas indicações, e provavelmente não será diferente com ela. Dois Dias, Uma Noite é um filme muito mais poderoso do que parece, desvendando de maneira sutil o sistema politico dominante e a reação da população em torno dele. Cotillard lidera o filme, mas diferente de Moore, tem apoio de ótimos coadjuvantes e de uma dupla de diretores de respeito. Mas mesmo com tanto qualidade ao seu redor, Cotillard ainda consegue ser a melhor coisa do filme, com uma performance que é talvez a mais realistas que já vi. Sua abordagem para uma personagem que está entre a depressão e a tentativa de se reerguer é única, não se assemelha a nada feito, mas mesmo assim nunca parece forçada, pelo contrário, Cotillard é completamente natural ao adentrar a alma de um ser-humano devastado pela doença da depressão. Toda a trajetória da personagem para conseguir seu emprego de volta, que dura exatamente dois dias e uma noite, é comovente ao ponto de a todo o momento nos colocarmos no lugar dela. Vale lembra que Cotillard, assim como atrizes como Julie Christie, Barbara Stanwyck e Glenda Jackson tiveram indicações ao óscar por atuações completamente diferentes uma das outras. A diferença entre Edith Piaf e sua personagem aqui é tão gritante que parecem de atrizes completamente diferentes, e ambas são excelentes em suas singularidades. A melhor performance feminina do ano!



Ranking dos filmes:
Two Days, One Night ½
Gone Girl ★★
The Theory of Everything ½
Still Alice ½
Wild ½


Próximo Ano: 1975
Karen BlackThe Day of the Locust
Jeannete Clift, The Hiding Place
Julie HarrisThe Hiding Place
Romy Schneider, The Most Important Thing: Love
Angela Winkler, The Lost Honour of Katharina Blum

2 comentários:

  1. Wow!

    Very interesting. From what I've seen, loads of people on the internet love Rosamund (I myself am indifferent, perhaps because I read the book and found the movie translation of Amy to be disappointing). I think it's interesting that you like Jones as much as you did, because I definitely did not.

    Haven't seen Reese, Marion, or Julianne, but am going to get around to them very soon! Seems like this is one of those years where there's not really a consensus on who's the best. I've seen some people say they prefer Reese, some say Julianne, some say Rosamund, and some say Marion. And that's pretty cool!

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  2. É bastante bom ver um site brasileiro dedicado às avaliações sobre performances. Ótimo trabalho!

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