domingo, 19 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1957






Patricia Neal
Um Rosto na Multidão
(A Face in the Crowd)
½

Visão Geral: Quase 20 anos antes de Sidney Lumet lançar Rede de Intrigas, Elia Kazan dirigiu Um Rosto na Multidão, protagonizado por Patricia Neal e Andy Griffith, com temática parecida sobre como a mídia pode afetar a vida dos envolvidos nela. A personagem de Neal na verdade é bem diferente da de Faye Dunaway, que apesar de ter a ambição de lançar uma grande estrela, não chega a ser maquiavélica, sendo uma das mais afetadas pelas consequências do sucesso de seu produto.  É a personagem alegre e entusiasmada do começo se transformando na mulher melancólica e decepcionada do final, e essa transformação é muitíssimo bem feita. Sem contar que mesmo muito sutil em sua performance, Neal conseguiu encontrar química com um Andy Griffith numa atuação mais exagerada. Realmente um belo trabalho.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1933






Katharine Hepburn
As Quatro Irmãs
(Little Women)
★★

Visão Geral: Imagina uma atriz, que não tinha encontrado ainda o tom certo para trabalhar em filmes, interpretando um dos personagens mais famosos da literatura americana e, ainda assim, conseguindo fazer algo fascinante. É verdade que aqui vemos os mesmos exageros que incomodam na performance pela qual Hepburn ganhou seu primeiro Óscar. Aquela necessidade de falar tudo muito alto e abusar dos maneirismos foi algo que Hepburn teve que trabalhar com o tempo, mas ainda assim ela foi capaz de carregar um filme nas costas, mesmo este não sendo um veículo seu. Talvez o fato dos demais atores de As Quatro Irmãs estarem de medianos para baixo, tenha feito com que Hepburn roubasse a cena sem esforço algum. Não sei se os exageros da atriz combinam ou não com a personagem do livro, pois não o li, mas Hepburn foi capaz de criar uma personagem tão interessante que a atuação em si ficou menor do que a sua criação de personagem. Toda a trajetória familiar e romântica da personagem é divertida o suficiente, pois Hepburn a assim fez.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1968






Claudia Cardinale
Era Uma Vez no Oeste
(Once Upon a Time in the West / C'era una volta il West)

Visão Geral: É muito comum quando um diretor de língua não inglesa vai dirigir um filme em inglês, que ele leve atores de seu próprio país para estrelá-lo.  Sergio Leone fez isso em boa parte dos seus filmes. No caso de Era uma vez no Oeste, temos os italianos Claudia Cardinale e Gabriele Ferzetti em papéis muito importantes, sendo Claudia considerada uma das protagonistas. Apesar de algumas informações darem conta que ambos são dublados por atores de língua inglesa, em geral, os atores do filme não precisam de muitos diálogos para entregarem performances gigantescas. Talvez a magia de todas essas performances, que são fascinantes, esteja exatamente no roteiro que cria pelo menos 5 dos personagens mais interessantes do cinema. Atores talentosos, caracterizações incríveis e uma das melhores direções da história fazem jus ao roteiro. A personagem de Cardinale é uma voluptuosa prostituta que chama a atenção de quase todos os homens do filme, e mesmo tendo a beleza e sensualidade exigidas pelo papel, Cardinale vai além entregando uma performance intensa e marcante. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1956






Elizabeth Taylor
Assim Caminha a Humanidade
(Giant)
½

Visão Geral: Assim Caminha a Humanidade move uma legião de fãs a dizer que o Óscar de 1957 foi um dos mais injustos da história, pois este perdeu para Volta ao Mundo em 80 Dias. Não assisti o vencedor, mas Assim Caminha a Humanidade não é o tipo de filme pelo qual eu questionaria uma grande injustiça. Por mais que seja um épico muito bem conduzido, roteirizado e atuado, acho-o quadrado demais para ser tão influente atualmente. E as atuações James Dean e Rock Hudson que são boas, talvez não valessem a indicação ao óscar, nem teria valido a de Elizabeth Taylor, que na época deve ter sido considerada a grande esnobada do ano. Tenho fama de ser o maior detrator da atriz, pois não suporto sua voz e seu jeito de falar, mas nunca deixo de reconhecer que ela foi uma das atrizes mais engajadas dos anos 50, sempre entregando performances sólidas que cabem muito bem aos seus filmes. A solidez de sua atuação em Giant já era uma coisa certa, já que a personagem é muito bem criada, oferecendo algumas situações muito boas para simpatizarmos com ela, mas ao mesmo tempo, é limitada o suficiente para não deixar Taylor ir além. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1995





Nicole Kidman
Um Sonho sem Limites
(To Die For)
½

Visão Geral: Gus Van Sant é um diretor estranho, enquanto Elefante é uma das obras mais multifacetadas do cinema, ele também tem no currículo o péssimo remake de Psicose e o insuportável Gerry. Um Sonho sem Limites não é um filme que amei de nenhuma maneira, mas dá para reconhecer o ótimo trabalho técnico, principalmente de edição. Mas nada neste filme se compara a performance de Nicole Kidman, uma atriz que adoro, e que dificilmente teria sido levada a sério se não fosse revelada neste filme. Imagine que no mesmo ano ela estrelou o horrendo Batman Eternamente, quando ainda era apenas vista como a esposa de Tom Cruise. É verdade que a maioria tem essa performance como a melhor de Kidman, chegando a considera-la simplesmente genial no filme. É impossível negar que o que ela fez é diferente de tudo já feito, e muito bem feito por sinal. Também fica claro como Kidman tem uma presença de tela gigantesca, conseguindo fazer funcionar cenas em que a personagem conversa com a câmera. Talvez o humor negro do filme não tenha funcionado nenhum pouco comigo a ponto de não encontrar toda a genialidade que citam. Mas fica o fato de que tudo é muito bem orquestrado, desde o abuso da sensualidade da atriz para resultar numa caracterização marcante, até chegar ao momento em que a personagem revela um lado obscuro e manipulador, que poderia ser pouco crível, mas Nicole faz acontecer naturalmente.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1953







Anne Baxter
A Gardênia Azul
(The Blue Gardenia)

Visão Geral: Apesar de um Óscar na bagagem e uma filmografia de dar inveja, Anne Baxter é uma das atrizes mais subestimadas de sua geração. O fato de sua mais famosa aparição no cinema ser em A Malvada (1950), filme lembrado por conter a mais icônica e grandiosa performance da mais amada atriz da história Bette Davis, não a ajuda a ter seu trabalho mais valorizado. Com o tempo fui percebendo que Baxter é uma das atrizes mais versáteis de sua época. A diferença gritante da atuação que dá em O Fio da Navalha (1946) para Os Dez Mandamentos (1956), por exemplo, mostra bem isso. Em A Gardênia Azul, Baxter carrega um film noir nas costas, coisa rara, pois é um gênero bastante masculino em que as personagens femininas eram quase todas mulheres sensuais e de caráter duvidoso. Aqui temos uma personagem mais multifacetada, uma mulher que, longe do homem que ama, acaba em uma noite bebendo demais a ponto de não se lembrar no dia seguinte se cometeu ou não o assassinato do homem com quem passou a noite. O que eu mais gosto é que qualquer outra atriz teria abusado dos exageros e das facetas mais melodramáticas possíveis, mas Baxter é sútil até nas cenas em que está bêbada. Na segunda metade, a química entre ela e Richard Conte funciona muito bem, assim como funcionou durante o filme inteiro com Ann Sothern, onde tivemos as cenas mais luminosas da personagem, onde Baxter também arrasou.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1970






Julie Christie
O Mensageiro
(The Go-Between)
½

Visão Geral: O Mensageiro é a obra-prima máxima de Joseph Losey, vencedor da palma de ouro e injustamente ignorado pelo Óscar em diversas categorias. Em 1967, Julie Christie estrelou o épico Longe Deste Insensato Mundo e não conseguiu carregar o filme nas costas, que foi completamente roubado pelos atores coadjuvantes. Aqui, em um papel muito menor, quase coadjuvante, Christie faz muito melhor, entregando uma bela performance representando a mulher de alta sociedade e seus anseios pelo que é perigoso e pelo que é selvagem. Há uma cena em especial em que Julie é capaz de mostrar outro lado de sua personagem, quando confronta o mensageiro do título usando de arrogância e chantagem enquanto conversa, dando várias camadas a ela. Então só posso dizer que a comparação que fiz com sua outra performance me intriga: em um épico de 3 horas, Julie não foi capaz de fazer tudo que fez aqui, com pouquíssimo material.