quarta-feira, 1 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1970






Julie Christie
O Mensageiro
(The Go-Between)
½

Visão Geral: O Mensageiro é a obra-prima máxima de Joseph Losey, vencedor da palma de ouro e injustamente ignorado pelo Óscar em diversas categorias. Em 1967, Julie Christie estrelou o épico Longe Deste Insensato Mundo e não conseguiu carregar o filme nas costas, que foi completamente roubado pelos atores coadjuvantes. Aqui, em um papel muito menor, quase coadjuvante, Christie faz muito melhor, entregando uma bela performance representando a mulher de alta sociedade e seus anseios pelo que é perigoso e pelo que é selvagem. Há uma cena em especial em que Julie é capaz de mostrar outro lado de sua personagem, quando confronta o mensageiro do título usando de arrogância e chantagem enquanto conversa, dando várias camadas a ela. Então só posso dizer que a comparação que fiz com sua outra performance me intriga: em um épico de 3 horas, Julie não foi capaz de fazer tudo que fez aqui, com pouquíssimo material.




Catherine Deneuve
Tristana, Uma Paixão Mórbida
(Tristana)

Visão Geral: Por um lado, eu gosto quando um ator participa filmes de diretores de diferentes nacionalidades, mas o fato de que isso quase sempre resulta em dublagem, faz com que eu, por outro lado, me sinta decepcionado por não poder conferir sua performance de forma genuína. Por mais que Deneuve seja uma atriz com um rosto bem expressivo e que Tristana seja uma personagem incrível, eu tenho certeza que se eu fosse capaz de achar a versão em francês, essa performance cresceria muito em meu conceito. Por enquanto o que posso dizer é que temos uma performance competente, em que momento algum parece ruim ou falsa e com uma dublagem em espanhol muito bem feita. Mas o que mais impressiona é que, Tristana por ser uma personagem que começa boazinha e termina completamente amargurada, isso podemos ver muito mais na linguagem corporal de Deneuve do que no tom de voz da dubladora, ficando os maiores méritos para ela.



Stéphane Audran
Trágica Separação
(La Rupture)
½

Visão Geral: Stéphane Audran foi a maior musa de Claude Chabrol, com quem foi casada durante anos. Por mais que seu personagem mais conhecido seja a Babette de A Festa de Babette, ela deve mais de metade de sua filmografia à parceria que teve com Chabrol. 1970 foi o auge desta dupla, em que eles lançaram, no mesmo ano, dois filmes: La Rupture e Le Boucher. Por mais que a maioria a prefira em Le Boucher, eu fico com ela em La Rupture, que é onde ela tem um personagem maior em um filme com mais reviravoltas. Antes de falar de sua atuação, é bom falar que Audran era uma linda mulher com uma presença marcante em tela: era uma estrela. Como atriz, não deixava a desejar, principalmente neste filme, onde sua personagem, uma mãe com um filho acamado e em meio a uma separação, lhe deu a oportunidade de usar suas qualidades muito bem. Com essas características da personagem, parece que se trata de um drama familiar, quando na verdade o que temos é um thriller hitchcockiano com direito a um final completamente psicodélico. O filme tem uma galeria incrível de personagens bizarros, e a de Audran parece a única pessoa normal, tanto que se sente completamente deslocada, e isso demonstra bem a sensação que a personagem teve a vida inteira: mesmo simples, se casou com um homem riquíssimo e viveu uma vida que não lhe cabia. Audran demonstra toda essa dualidade da personagem muito bem e a câmera de Chabrol ama sua protagonista, tomando os takes mais belos da atriz, principalmente na cena do ônibus.




Glenda Jackson
Delírio de Amor
(The Music Lovers)
½

Visão Geral: Glenda Jackson é uma atriz de extremos, tanto em suas escolhas, que são ou completamente over ou inteiramente sutis, quanto às opiniões sobre suas performances, que é ou ame ou odeie. E é assim que me sinto em relação a ela, quando gosto de uma performance sua, eu amo, quando não gosto, detesto. Graças a Deus, diferentes de em A Incrível Sarah, os exageros de Jackson em Delírios de Amor funcionaram muito bem para sua personagem ninfomaníaca. O mais interessante de tudo é que Jackson não escolhe viver sua personagem como uma louca desvairada sem qualquer sentimento, pelo contrário, ela injeta tanta emoção à personagem que todas as passagens do filme soam ainda mais convincentes, principalmente a sequência final que é assustadora. Glenda não é a personagem principal do filme, nem tem tanto tempo em tela quanto Richard Chamberlain, mas rouba um filme, que é incrivelmente megalomaníaco, musical e exagerado, desde suas cenas mais sutis quando apenas sorri até suas cenas de descontrole absoluto. Não paro de amar esta atriz.



Sophia Loren
Os Girassóis da Rússia
(Sunflower / I Girasoli)
½

Visão Geral: Recentemente tirei a vitória que dei a Sophia Loren por Duas Mulheres, pois percebi que realmente a grande performance de 1960 foi de Hideko Takamine, mas isso me doeu muito. Folgava em saber que ela tinha chances em 1970, por conta de sua famosa performance em Os Girassóis da Rússia. Pude conferir que realmente esta era a segunda melhor performance de uma atriz que muitas vezes é subestimada, mas muito melhor do que isso é que temos algo completamente diferente de sua personagem em Duas Mulheres, principalmente porque Loren a construiu de maneira incrível. Os cenários, a fotografia e os figurinos ajudaram Loren a criar uma personagem símbolo da Itália com todo seu fervor, espontaneidade e graciosidade. A primeira metade do filme é uma linda história de amor, que conta com a já famosa química entre Marcelo Mastroianni e Loren, para na segunda metade virar uma história de decepção em que Loren vai pelo caminho menos óbvio, nunca implorando nossa piedade, nem se deixa cair no piegas da história da mulher que faz de tudo pelo homem amado. Temos uma história que nos faz rir e se emocionar em um filme carregado nas costas por Sophia Loren, tão bela quanto ótima atriz.



Assisti Wanda há um tempo e fiquei muito pouco impressionado pelo filme, apesar de ter gostado da performance de Barbara Loden. Não quis incluí-la entre as avaliadas, porque achei que haveria performances suficientemente melhores para preencher o TOP 6. Deneuve seria uma boa opção, tanto quanto Audran em Le Boucher, mas Loden tem crescido em mim exponencialmente e vou dar esta mamata para ela. Quanto à vencedora, apesar de amar Sarah Miles em A Filha de Ryan, fico com Sophia Loren em Os Girassóis da Rússia.




Ranking dos filmes:
The Go-Between ½
Sunflower 
The Music Lovers 
Tristana ½
La Rupture ½


Ranking Geral:
1. Sophia Loren - Sunflower
2. Carrie Snodgress - Diary of a Mad Housewife
3. Sarah Miles - Ryan's Daughter
4. Glenda Jackson - The Music Lovers
5. Stéphane Audran - La Rupture
6. Beryl Reid - Entertaining Mrs. Sloane
7. Barbara Loden - Wanda
8. Stéphane Audran - Le Boucher
9. Catherine Deneuve - Tristana
10. Julie Christie - The Go-Between
11. Simone Signoret - The Confession
12. Ali MacGraw - Love Story
13. Monica Vitti - Jealousy, Italian Style
14. Romy Schneider - The Things of Life
15. Liza Minnelli - Tell Me That You Love Me, Junie Moon
16. Pamela Franklin - And Soon the Darkness
17. Jane Alexander - The Great White Hope
18. Catherine Deneuve - Donkey Skin
19. Faye Dunaway - Puzzle of a Downfall Child



Supporting Actress:
1. Karen Black - Five Easy Pieces
2. Eva Marie Saint - Loving
3. Sally Kellerman - MASH
4. Stella Stevens - The Ballad of Cable Hogue
5. Helen Hayes - Airport
6. Margaret Leighton - The Go-Between



Próximo Ano: 1953
Harriet Andersson, Summer with Monika
Anne Baxter, The Blue Gardenia
Danielle Darrieux, The Earrings of Madame de...
Ida Lupino, The Bigamist
Simone Signoret, Thérèse Raquin

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