quarta-feira, 15 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1968






Claudia Cardinale
Era Uma Vez no Oeste
(Once Upon a Time in the West / C'era una volta il West)

Visão Geral: É muito comum quando um diretor de língua não inglesa vai dirigir um filme em inglês, que ele leve atores de seu próprio país para estrelá-lo.  Sergio Leone fez isso em boa parte dos seus filmes. No caso de Era uma vez no Oeste, temos os italianos Claudia Cardinale e Gabriele Ferzetti em papéis muito importantes, sendo Claudia considerada uma das protagonistas. Apesar de algumas informações darem conta que ambos são dublados por atores de língua inglesa, em geral, os atores do filme não precisam de muitos diálogos para entregarem performances gigantescas. Talvez a magia de todas essas performances, que são fascinantes, esteja exatamente no roteiro que cria pelo menos 5 dos personagens mais interessantes do cinema. Atores talentosos, caracterizações incríveis e uma das melhores direções da história fazem jus ao roteiro. A personagem de Cardinale é uma voluptuosa prostituta que chama a atenção de quase todos os homens do filme, e mesmo tendo a beleza e sensualidade exigidas pelo papel, Cardinale vai além entregando uma performance intensa e marcante. 



Julie Christie
Petulia, Um Demônio de Mulher
(Petulia)
½

Visão Geral: Nicolas Roeg é mais conhecido por suas edições mirabolantes do que por seu crédito como diretor. Antes de dirigir Julie Christie em Inverno de Sangue em Veneza, ele foi o editor de Petulia, também protagonizado por ela. A bagunça usual de sua edição podia fazer performances incríveis ficarem cansativas ou confusas demais. Acontece que eu duvido que as atuações e o filme seriam melhores se não fosse toda a bagunça provocada por Roeg. Apesar de Shirley Knight roubar o filme inteiro para si com menos de 10 minutos em tela, não dá para negar que Julie Christie e George C. Scott estão incríveis no filme. Nem eu sei muito bem porque eu gostei tanto das atuações em Petulia. Se visto de outro lado, todo o filme pode ser considerado lixo puro, mas eu vejo como uma versão colorida e mais adulta de Darling, também interpretada por Christie. E em ambos os casos, Christie foi capaz de dar muito mais profundidade a suas personagens do que elas realmente tinham. 


Beryl Reid
Três Mulheres na Intimidade
(The Killing of Sister George)
★★½

Visão Geral: Em 1968 um filme sobre um casal de lésbicas, onde uma delas é uma atriz que interpreta uma freira em uma novela e a outra se envolve sexualmente com uma Manda-Chuva da emissora que produz essa novela, e chegando até ter cenas de sexo. Sim, esse filme é Três Mulheres na Intimidade e está completamente esquecido hoje em dia, apesar da ousadia. Talvez a direção datada e o tom muito teatral do filme fizeram com que, mesmo com assuntos tão modernos, o filme fosse deixado de lado. Hoje ele é mais lembrado por conter a performance mais icônica de Beryl Reid, uma das grandes atrizes do teatro britânico. Mas se você pensa que esse filme tem qualquer carga dramática ou um apelo sensual muito grande, engana-se. Trata-se de uma comédia que a própria Reid carrega nas costas, fazendo mais de duas horas serem divertidas o suficiente para se gostar de um filme mediano. O mais legal de tudo é que nem o filme e nem Reid parecem forçar o fato de que se trata de uma personagem homossexual a todo o momento, tudo é tratado com uma naturalidade tão grande que é possível rir com a personagem, já que ela nunca parte para as questões dramáticas de como era ser gay naquela época.



Mia Farrow
O Bebê de Rosemary
(Rosemary's Baby)
★★½

Visão Geral: O Bebê de Rosemary é um milagre em forma de filme. Vejam o que temos: um roteiro absurdamente bizarro com tudo para ser uma comédia; dirigido por um diretor de suspense; protagonizado por uma atriz que parecia mais uma modelo e sem a aparência materna exigida pela personagem; com John Cassavetes, um homem de grande personalidade, interpretando um bocó facilmente manipulável; e uma Ruth Gordon na linha tênue entre o ridículo e o assustador. Como Roman Polanski conseguiu fazer tudo isso virar um dos melhores e mais icônicos filmes de terror da história eu nunca vou entender, mas assistir a este filme é sempre uma experiência revigorante. A performance de Mia Farrow me lembra muito a de Natalie Portman em Cisne Negro, porque temos uma atriz entregando uma performance que em outro filme seria completamente medíocre e que deve seu status ao diretor de seu filme. O fato é que eu não vejo uma nota falsa em nenhuma das performances neste filme, tudo funciona e se encaixa dentro de sua própria estranheza, e Farrow está incluída aí, que mesmo engajada, se não fosse por Polawski nunca teria entregado essa performance, que é a melhor de sua carreira.



Liv Ullmann
Vergonha
(Shame / Skammen)

Visão Geral: Uma das coisas boa de fazer o Oscar Alternativo foi poder redescobrir Liv Ullmann, de quem gostei muito no passado, mas devido as suas duas indicações ao Oscar, que considero superestimadas, tinha perdido parte da admiração que tinha por ela. Mas depois de ter certeza que ela deu uma das melhores performances da história em Persona, pude também rever Vergonha, que contém outra de suas grandes atuações. Considero esta a melhor parceria entre Ullmann e Von Sydow, que fizeram diversos outros filmes juntos, mas aqui em uma história de amor abalada pela guerra. A passividade do personagem de Sydow em conflito com a indignação da de Ullmann tem a guerra de pano de fundo como metáfora para esta relação que tem amor, mas tem atritos. Apesar de Sydow ser um dos meus atores favoritos, quem rouba a cena é Ullmann fazendo de sua personagem, uma música de personalidade muita calma e simpática, uma sonhadora. Ullmann não erra em momento algum, mesmo quando tem aquelas clássicas cenas de grito que quase sempre vemos em suas performances, é tudo acertado e condizente com a proposta e ela nunca perde a personagem dentro de si. É esperar para ver se Ullmann não volta a ser uma das minhas atrizes favoritas...



Eu vou com  Katharine Hepburn em O Leão no Inverno, mas mesmo doendo dizer, não é uma escolha muito acertada ainda, meu amor por Ullmann pode crescer a ponto de tirar a vitória dela.




Ranking dos filmes:
Once Upon a Time in the West 
Rosemary's Baby 
Shame ½
Petulia 
The Killing of Sister George 


Ranking Geral:
1. Katharine Hepburn - The Lion in Winter
2. Joanne Woodward - Rachel, Rachel
3. Liv Ullmann - Shame
4. Vanessa Redgrave - Isadora
5. Mia Farrow - Rosemary's Baby
6. Beryl Reid - The Killing Of Sister George
7. Patricia Neal - The Subject was Roses
8. Julie Christie - Petulia
9. Barbra Streisand - Funny Girl
10. Claudia Cardinale - Once Upon a Time in the West
11. Gena Rowlands - Faces
12. Liv Ullmann - The Hour of the Wolf
13. Stéphane Audran - Les Biches
14. Jacqueline Sassard - Les Biches
15. Tuesday Weld - Pretty Poison
16. Judith O'Dea - Night of the Living Dead
17. Susannah York - The Killing of Sister George
18. Jeanne Moreau - The Bride Wore Black
19. Glenda Jackson - Negatives
20. Diane Cilento - Negatives


Supporting Actress:
1. Ruth Gordon - Rosemary's Baby
2. Shirley Knight - Petulia
3. Lynn Carlin - Faces
4. Delphine Seyrig - Stolen Kisses
5. Sondra Locke - Heart is a Lonely Hunter
6. Shani Wallis - Oliver!



Próximo Ano: 1933
Henrietta Crosman, Pilgrimage
Greta Garbo, Queen Christina
Katharine Hepburn, Little Women
Barbara Stanwyck, Baby Face
Loretta Young, Man's Castle

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