domingo, 19 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1957






Patricia Neal
Um Rosto na Multidão
(A Face in the Crowd)
½

Visão Geral: Quase 20 anos antes de Sidney Lumet lançar Rede de Intrigas, Elia Kazan dirigiu Um Rosto na Multidão, protagonizado por Patricia Neal e Andy Griffith, com temática parecida sobre como a mídia pode afetar a vida dos envolvidos nela. A personagem de Neal na verdade é bem diferente da de Faye Dunaway, que apesar de ter a ambição de lançar uma grande estrela, não chega a ser maquiavélica, sendo uma das mais afetadas pelas consequências do sucesso de seu produto.  É a personagem alegre e entusiasmada do começo se transformando na mulher melancólica e decepcionada do final, e essa transformação é muitíssimo bem feita. Sem contar que mesmo muito sutil em sua performance, Neal conseguiu encontrar química com um Andy Griffith numa atuação mais exagerada. Realmente um belo trabalho.



Yvonne Mitchell
Uma Sombra em Minha Vida
(Woman in a Dressing Gown)
½

Visão Geral: Não sou dos que mais defendem performances exageradas, mas como negá-las quando o resultado é quase perfeito? Shirley Booth, Kathy Bates e Marion Cottilard são exemplos de atrizes que entregaram as famigeradas over-the-top performances e ganharam merecidamente o Óscar por elas. Yvone Mitchell fez Uma Sombra em Minha Vida como Shirley Booth fez em Come Back, Little Sheba, que mesmo numa performance espalhafatosa e irritante, entregou um retrato crível de uma dona de casa e seu problema com o marido. Digo ainda, que se fosse para escolher, Mitchell está ainda melhor que Booth, e, por sua performance, ganhou o prêmio de melhor atriz no festival de Berlin. Mesmo entendendo que sua personagem é irritante, em momento algum deixamos de simpatizar com ela, chegando a nos comover com sua tentativa de fazer com que o marido desista da ideia de abandoná-la. Talvez o fato de Mitchell nunca fazer com que sua personagem caia na vulgaridade, apesar das possibilidades, é um dos maiores triunfos (entre tantos) dessa atriz que, infelizmente, está esquecida.


Tatyana Samoylova
Quando Voam as Cegonhas
(The Cranes Are Flying)


Visão Geral: Tatyana Samoylova é a primeira russa a aparecer no meu blog. Apesar de Aleksandr Sokurov e Andrei Tarkovsky, os filmes russos não são tão conhecidos no ocidente, mas ainda bem que a pérola Quando as Cegonhas Voam se tornou um clássico universal. O filme retrata com sensibilidade as feridas da II guerra na Rússia e vê na beleza frágil e cativante de Samoylova o fio condutor para nos comover. Apesar de parecer mais um filme de guerra do que qualquer outra coisa, o filme conta uma história de amor. E a personagem de Samoylova é tão sozinha que se agarra no amor que tem pelo seu namorado, a ponto de sofrer drasticamente as consequências do fato de ele ter sido convocado para fazer parte da frente de batalha. A atriz mostra muito bem os dois lados da moeda, tanto da mulher sozinha sofrendo as consequências da guerra quanto da mulher apaixonada. Mas com o talento e sensibilidade a atriz não fica presa no fato de que o filme tem por prioridade falar sobre os males da guerra, e dá a sua personagem uma personalidade tão fascinante que se torna a coisa mais interessante de um filme que já é ótimo por si só.



Giulietta Masina
As Noites de Cabiria
(Le notti di Cabiria / Nights of Cabiria)


Visão Geral: Até os filmes mais realistas de Federico Fellini têm um alto grau de fantasia. É como se ele encontrasse um conto de fada na mais dura das histórias. Em La Strada temos a triste história de Gelsomina, uma jovem vendida pela mãe para um bruto homem de circo. Em As Noites de Cabíria, temos a história de uma prostituta que se apaixona por um cara comum. Em ambos os filmes, a sensação é de que estamos vendo muito mais uma comédia do que um drama, e isso é que faz deles obras-primas. Cabiria é uma das personagens mais engraçadas que já vi no cinema, seu jeitão espalhafatoso e escandaloso faz com que nos rir dela e com ela. O legal é que mesmo sendo famosa por ser a atriz que atua com os olhos, Masina também tem talento suficiente para fazer com que uma personagem gritante funcione sem parecer puro exagero. O romance que a personagem vive na segunda metade do filme é comovente, resultando numa das tomadas mais inesquecíveis do cinema, que são os segundos finais. Esta atuação é uma representação fidedigna do que uma performance cinematográfica tem, por principio, ser.



Audrey Hepburn
O Amor na Tarde
(Love in the Afternoon)

Visão Geral: A grande problemática de Amor na Tarde está na má escalação de Gary Cooper. E para mim esta é a única explicação para o fato de a melhor performance de Audrey Hepburn ser completamente ignorada. Um dos fatos mais machistas sobre Hollywood é a perpetuação do galã por mais de décadas. Em 1932, Gary Cooper e Helen Hayes viveram um casal em Adeus às Armas. 25 anos depois, em 1957, Ingrid Bergman ganhava um óscar por um filme em que Helen Hayes interpretava sua avó. No mesmo ano, Gary Cooper interpretava a paixão adolescente de Audrey Hepburn em Amor na Tarde. Eu entendo alguém que morra de paixão por Cooper, afinal, ele foi um dos homens mais bonitos de que se tem notícia na história da humanidade, mas 56 anos aparentando ter idade que tinha é realmente um caso de má escalação. O fato de Cary Grant, ainda galante na época e que depois provou ter ótima química com Hepburn em Charada, ter sido uma das primeiras opções de Billy Wilder para o papel, me deixa muito triste. Outra coisa que aumenta o erro de ter Cooper no papel, é que Yul Brynner também foi chamado para o papel, provando que, na verdade, o personagem não era para ser tão velho assim. Decidi assistir ao filme sem ligar para o fato de Cooper estar ali e o que vi foi uma das melhores atuações da história. É claro ver que eu tenho uma queda especial por performances desse tipo: mulheres tímidas e jovens apaixonadas por aqueles que consideram inalcançáveis. Em Carta a Uma Desconhecida temos uma versão dramática de uma história assim, em Amor na Tarde, uma versão cômica. E não havia ninguém melhor do que Audrey Hepburn para participar de uma comédia romântica, que apesar de leve tem subtexto suficiente para contar uma história profunda sobre amadurecimento. Paris é o plano de fundo para a história de amor entre um homem de espírito livre e a filha mimada de um detetive francês. E em filme algum eu vi o estilo de Hepburn ser usado de forma tão brilhante para resultar num retrato tão bonito e poético de uma mulher apaixonada. Eu mesmo um dia achei que, Audrey Hepburn, uma das minhas atrizes favoritas, nunca ia ter uma vitória na minha premiação pessoal, mas ainda bem que ela me surpreendeu com esta preciosidade.



Vale aqui fazer uma menção a Nargis em Mãe Índia que entrega uma das melhores performances da história do cinema no primeiro ato de seu filme, mas infelizmente tem tudo o que fez estragado pelo segundo ato. E quanto a minha vencedora, foi MUITO difícil escolher entre Masina e Hepburn, mas Masina já tem sua vitória. Audrey Hepburn em Amor na Tarde.




Ranking dos filmes:
Nights of Cabiria ½
The Cranes Are Flying ½
Love in the Afternoon 
A Face in the Crowd 
Woman in a Dressing Gown ½


Ranking Geral:
1. Audrey Hepburn - Love in the Afternoon
2. Giulietta Masina - Nights of Cabiria
3. Tatyana Samoylova - The Cranes Are Flying
4. Yvonne Mitchell - Woman in a Dressing Gown
5. Patricia Neal - A Face in the Crowd
6. Anna Magnani - Wild is the Wind
7. Nargis - Mother India
8. Setsuko Hara - Tokyo Twilight
9. Deborah Kerr - Heaven Knows, Mr. Allison
10. Joanne Woodward - The Three Faces of Eve
11. Sylvia Sims - Woman in a Dressing Gown
12. Deborah Kerr - An Affair to Remember
13. Barbara Stanwyck - Forty Guns
14. Lana Turner - Peyton Place
15. Audrey Hepburn - Funny Face
16. Mitzi Gaynor - Les Girls
17. Diane Varsi - Peyton Place
18. Kay Kendall - Les Girls
19. Mylène Demongeot - The Crucible
20. Elizabeth Taylor - Raintree County
21. Marlene Dietrich - Witness for Prosecution
22. Eva Marie Saint - Raintree County
23. Kay Thompson - Funny Face
24. Taina Elg - Les Girls


Supporting Actress:
1. Isuzu Yamada - Throne of Blood
2. Ingrid Thulin - Wild Strawberries
3. Carolyn Jones - The Bachelor Party
4. Simone Signoret - The Crucible
5. Anne Bancroft - Nightfall
6. Hope Lange - Peyton Place



Próximo Ano: 2010
Juliette Binoche, Certified Copy
Hailee SteinfeldTrue Grit
Sibel Kekilli, When We Leave
Carey Mulligan, Never Let Me Go
Jeong-hie Yun, Poetry

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