quinta-feira, 16 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1933






Katharine Hepburn
As Quatro Irmãs
(Little Women)
★★

Visão Geral: Imagina uma atriz, que não tinha encontrado ainda o tom certo para trabalhar em filmes, interpretando um dos personagens mais famosos da literatura americana e, ainda assim, conseguindo fazer algo fascinante. É verdade que aqui vemos os mesmos exageros que incomodam na performance pela qual Hepburn ganhou seu primeiro Óscar. Aquela necessidade de falar tudo muito alto e abusar dos maneirismos foi algo que Hepburn teve que trabalhar com o tempo, mas ainda assim ela foi capaz de carregar um filme nas costas, mesmo este não sendo um veículo seu. Talvez o fato dos demais atores de As Quatro Irmãs estarem de medianos para baixo, tenha feito com que Hepburn roubasse a cena sem esforço algum. Não sei se os exageros da atriz combinam ou não com a personagem do livro, pois não o li, mas Hepburn foi capaz de criar uma personagem tão interessante que a atuação em si ficou menor do que a sua criação de personagem. Toda a trajetória familiar e romântica da personagem é divertida o suficiente, pois Hepburn a assim fez.



Henrietta Crosman
Peregrinação
(Pilgrimage)
½

Visão Geral: Peregrinação já mostrava o porquê de John Ford ser o diretor mais premiado pela Academia. Há algumas tomadas que são de arrepiar. Mas o que realmente mais espanta aqui, é que Ford, que costumava ser um diretor de filmes com protagonistas masculinos, tenha dirigido uma personagem feminina tão marcante quanto Miss Hannah. E apesar de ser uma conhecida atriz do teatro americano, Henrietta Crosman soube como transferir seu talento para as telas perfeitamente. Ouvi dizer que a atriz interpretava muito bem damas da alta sociedade, mas aqui temos uma fazendeira que é uma mulher teimosa e rude, mas com bom coração. Sentindo-se culpada pela morte do próprio filho por tê-lo mandado à guerra para que ele não se casasse contra sua vontade, a personagem vai receber uma honra ao mérito pelo filho que morreu pelo seu país, e é aí que a personagem vai sofrer sua regeneração, que é tão comovente quanto crível. No mais, posso dizer que, na verdade, não se trata apenas de uma performance melodramática, temos vários momentos graciosos e cômicos que balanceiam essa performance e a tornam muito mais interessante.



Loretta Young
O Paraíso de um Homem
(Man's Castle)
½

Visão Geral: Nunca imaginei que Loretta Young, aquela atriz que tem um dos Óscares mais desmerecidos da história desta categoria, ia aparecer no meu Óscar alternativo. Descobrir O Paraíso de um Homem, um dos pre-codes mais interessantes que já vi, foi realmente uma surpresa, tanto por Young quanto por Spencer Tracy que também está ótimo. Outra coisa que não esperava era ver uma química tão forte entre esses dois atores. Logo que o filme começa, conhecemos a personagem de Young, uma pobre americana passando fome que conhece um cafajeste, interpretado por Tracy. Logo os personagens, que não tem passado nem falam sobre isto, passam a viver juntos. A personagem de Young demonstra sua paixão em cada cena que aparece, enquanto o de Tracy é relutante chegando a ter várias atitudes cafajestes. Young tinha apenas 20 anos quando fez esse filme e nenhuma formação teatral, e talvez por isso mesmo tenha dado uma das atuações mais naturais de sua geração. É raro ver um retrato de uma mulher suburbana em filmes dessa época, e Loretta Young que podia parecer uma escolha precipitada para um papel assim, o agarra com unhas e dentes e entrega uma performance fascinante. Infelizmente, depois dos anos 40, principalmente por sua forte veia católica, Young se transformou uma mulher muito quadrada e isso se refletiu em suas performances, que passaram a ser fracas e sem entrega, diferente de sua atuação em O Paraíso de um Homem.


Barbara Stanwyck
Serpente de Luxo
(Baby Face)
★★½

Visão Geral: Podemos dizer que um dos grandes ícones da era pre-code em Hollywood é a personagem de Barbara Stanwyck em Serpente de Luxo. Talvez Missy não seja de fato a atriz mais representativa dessa geração, Jean Harlow com certeza ocupa este lugar, mas o que ela fez neste filme está acima de qualquer coisa que Harlow já pensou em fazer. Eu gosto muito do estilo de Harlow, mas ela é histérica demais para um papel que exige um equilíbrio entre o sexy e o vulgar. E a maneira sútil com que Stanwyck viveu a baby face fez com que ela se se tornasse essa personagem símbolo. Com certeza, Babs está entre as três melhores e mais produtivas atrizes de Hollywood, mas, assim como Bette Davis e Katharine Hepburn, o número incrível de projetos com que elas se envolviam fazia com que elas entregassem performances medíocres em alguns filmes. Mas Stanwyck nunca errava em vilãs, tanto sua matadora Phyllis em Pacto de Sangue quanto sua deliciosa mau-caráter em As Três Noites de Evas ganharam nuances gigantescas da atriz a ponto de se tornarem muito mais complexas do que realmente eram. Baby Face é talvez a mais promíscua personagem dos anos 30, e Babs não teve medo de arriscar, fazendo com perfeição cada gesto e expressão, dosando o tom de sua voz e nos convencendo de que ela era realmente irresistível.



Greta Garbo
Rainha Christina
(Queen Christina)

Visão Geral: Greta Garbo interpretando uma rainha é muito fácil de ver: ela tem a aura de majestade que uma rainha precisa. Mas parece loucura imaginar que ela conseguiria carregar nas costas um filme de época com uma personagem tão complexa e que flerta com androginia, e ainda por cima elevar o material a ponto de fazer Rainha Christina ser um filmaço. Eu já gostava de Garbo e reconhecia muito bem que ela era uma das atrizes com maior presença em tela que já existiram, mas só aqui consegui realmente entender a magia de Garbo.  É um dos casos em que a atriz e a câmera se amam. Já sabemos o que esperar de Garbo e seu estilo, mas nem por isso não nos sentimos completamente renovados a cada monólogo, a cada aparição, a cada zoom, a cada risada... Alguns reclamam que em muitos filmes, Garbo aparece apenas como estrela muito mais do que como atriz, e talvez não seja uma reclamação à toa. Mas o que dizer de quando a estrela encontra a atriz e dá uma das grandes performances de sua geração? Rainha Christina se torna uma figura muito mais interessante nas mãos de Garbo a ponto de nos envolver em sua trajetória e acompanha-la sem julgamentos, para nos comovermos com um final tão marcante e bonito.




Apesar de 1933 ter sido um grande ano para Irene Dunne, Jean Harlow e Helen Hayes, vou manter May Robson no TOP 6, mesmo com algumas reservas com sua performances. Quanto a vencedora, não há dúvidas, Greta Garbo em Rainha Christina.




Ranking dos filmes:
Queen Christina 
Pilgrimage 
Man's Castle 
Baby Face 
Little Women 


Ranking Geral:
1. Greta Garbo - Queen Christina
2. Barbara Stanwyck - Baby Face
3. Loretta Young - Man's Castle
4. Henrietta Crosman - Pilgrimage
5. Katharine Hepburn - Little Women
6. May Robson - Lady for a Day
7. Jean Harlow - Bombshell
8. Helen Hayes - Another Language
9. Irene Dunne - Ann Vickers
10. Irene Dunne - The Secret of Madame Blanche
11. Miriam Hopkins - The Story of Temple Drake
12. Katharine Hepburn - Morning Glory
13. Barbara Stanwyck - The Bitter Tea of General Yen
14. Mae West - She Done Him Wrong
15. Diana Wynyard - Cavalcade
16. Carole Lombard - Supernatural


Supporting Actress:
1. Mary Astor - The Little Giant
2. Marie Dressler - Dinner at Eight
3. Marjorie Rambeau - Man's Castle
4. Jean Harlow - Dinner at Eight
5. Aline MacMahon - Gold Diggers of 1933
6. Margaret Hamilton - Another Language



Próximo Ano: 1957
Audrey HepburnLove in the Afternoon
Giulietta MasinaNights of Cabiria
Yvonne MitchellWoman in a Dressing Gown
Patricia Neal, A Face in the Crowd
Tatyana Samoylova, The Cranes Are Flying

2 comentários:

  1. omg i watched Queen Christina and it was such a bore. I had heard so much about how it's Garbo's best performance and yet....I don't know what the fuss is about. It's just not for me I suppose. I found her to be so dull :\

    love Kate in Little Women but I just love Kate a lot overall, but I think Babs takes it for me this year.

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    1. Ohhh, I thought you would love her, this performance remind me of Norma Shearer in Marie Antoinette :(

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