quarta-feira, 8 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1995





Nicole Kidman
Um Sonho sem Limites
(To Die For)
½

Visão Geral: Gus Van Sant é um diretor estranho, enquanto Elefante é uma das obras mais multifacetadas do cinema, ele também tem no currículo o péssimo remake de Psicose e o insuportável Gerry. Um Sonho sem Limites não é um filme que amei de nenhuma maneira, mas dá para reconhecer o ótimo trabalho técnico, principalmente de edição. Mas nada neste filme se compara a performance de Nicole Kidman, uma atriz que adoro, e que dificilmente teria sido levada a sério se não fosse revelada neste filme. Imagine que no mesmo ano ela estrelou o horrendo Batman Eternamente, quando ainda era apenas vista como a esposa de Tom Cruise. É verdade que a maioria tem essa performance como a melhor de Kidman, chegando a considera-la simplesmente genial no filme. É impossível negar que o que ela fez é diferente de tudo já feito, e muito bem feito por sinal. Também fica claro como Kidman tem uma presença de tela gigantesca, conseguindo fazer funcionar cenas em que a personagem conversa com a câmera. Talvez o humor negro do filme não tenha funcionado nenhum pouco comigo a ponto de não encontrar toda a genialidade que citam. Mas fica o fato de que tudo é muito bem orquestrado, desde o abuso da sensualidade da atriz para resultar numa caracterização marcante, até chegar ao momento em que a personagem revela um lado obscuro e manipulador, que poderia ser pouco crível, mas Nicole faz acontecer naturalmente.



Jennifer Jason Leigh
Georgia
(Georgia)
½

Visão Geral: Tanto Nicole Kidman quanto Jennifer Jason Leigh fariam o Top 5 performance femininas de toda pessoal normal, mas como eu não bato muito bem, ambas caiem fora. É verdade que me surpreendi muito que a atriz apática e sem emoção de Dolores Claiborne fosse capaz de entregar uma performance tão visceral, tão explosiva, tão cheia de sentimento. Jason Leigh e Mare Winningham fazem Georgia, um filme bem ordinário, funcionar muito bem e elevam o material a outro nível, mas é impossível dizer que todas as escolhas de Leigh funcionaram perfeitamente. O tom de voz escolhido combinou muito bem com a voz cantada, e este foi o maior triunfo da atriz, mas também foi o que fez com que em muitas situações eu achasse-a um pouco forçada. Que sua personagem é completamente irritante, isso eu sei, mas assim como no caso de Kidman, isso não é motivo para se desgostar de uma performance. Acontece que eu sempre me sinto inibido de dar cinco estrelas para performances que não considero flawless, ou seja, sem defeitos. Talvez eu esteja sendo um pouco duro demais porque em ambos os casos temos resultados marcantes e satisfatórios, mas não me sinto confortável para ir além.


Julianne Moore
O Mal do Século
(Safe)
½

Visão Geral: Foi bom aparecer uma oportunidade de falar mais um pouco de Julianne Moore aqui no blog, porque tenho algumas coisas a pontuar sobre esta atriz, a minha favorita em atividade, e por isso fiz questão de incluí-la aqui. Meu grande amor pela atriz vem do fato que ela se passa por qualquer personagem sem precisar mudar qualquer coisa em seu visual ou em seu estilo de atuação. Até quando suas escolhas são duvidosas, como no caso de Magnólia, é impossível não admirar seu trabalho. Em 1995, com O Mal do Século, Moore provou o que podia fazer com uma personagem que sofre de depressão, que é o tipo de personagem por qual ela é hoje conhecida e reconhecida. Talvez esse seja realmente o único dos filmes em que o foco é realmente a depressão da personagem, uma mulher de classe média e vida confortável que de repente apresenta sintomas que não correspondem a nenhuma doença específica. O Mal do Século poderia muito bem não funcionar de maneira alguma, mas Moore entrega uma personificação tão fiel da mulher nesta situação, que o filme flui sem qualquer estranheza. Moore nunca erra, nem mesmo na transformação sútil que a personagem sofre na segunda metade, mantendo sempre a aura que escolheu para a personagem sem deixar de ser multifacetada.



Kathy Bates
Eclipse Total
(Dolores Claiborne)

Visão Geral: Parece que as mulheres de Stephen King nasceram para serem interpretadas por Kathy Bates. Depois de uma das melhores e mais assustadoras performances da história em Louca Obsessão (1990) e um Óscar, Kathy Bates sentiu que sua segunda chance viria por Eclipse Total, outro filme em que ela se entrega de corpo e alma resultando numa performance perfeita. O filme, que não tem Bates como única protagonista, é completamente liderado pela atriz. Enquanto Jennifer Jason Leigh deixa a desejar um com uma performance sem graça, Kathy Bates compensa com uma explosão de fúria enquanto mulher em uma sociedade machista, e uma explosão de amabilidade quanto mãe e amiga. É impressionante como Bates faz de cada cena, até as que em apenas está quieta, algo gigantesco. Pode parecer que estou falando de uma daquelas performances espalhafatosas que são incrivelmente fáceis de gostar por serem dramáticas e cheias de diálogos, mas estou falando de muito mais do que isso. Estou falando de uma reprodução admirável da mulher indignada com sua condição, e Bates faz isso da maneira mais honesta e poética possível.  É difícil contar quantas cenas inesquecíveis há em sua performance, e isso também aconteceu em Louca Obsessão. Ou seja, Kathy Bates rouba qualquer filme pra si.



Isabelle Huppert
Mulheres Diabólicas
(The Ceremony / La Cérémonie)


Visão Geral: Isabelle Huppert está para a atuação assim como Stanley Kubrick está para direção. Ouso dizer que ela tem grandes chances de ser a atriz mais indicada aqui no meu blog e que facilmente se tornará uma das minhas atrizes favoritas. Seus trabalhos são tão minimalistas, tão bem construídos que é impossível não se cativar por cada criação sua, até a mais perversa delas como é o caso de Jeanne, sua personagem em Mulheres Diabólicas. Apesar de ser a maior atriz francesa da atualidade, foi por este filme e somente ele que Huppert ganhou o César de melhor atriz. Aqui ela vive a funcionária do correio de uma cidade do interior que não é gostada por ninguém na vizinhança, mas que um dia conhece a nova empregada da família mais rica da região e ambas começam uma amizade estranha com requintes de lesbianismo. Por mais séria que seja a abordagem do filme, Huppert consegue criar uma das personagens mais engraçadas que já vi nos últimos tempos. Nem Nicole Kidman, em um filme que podemos considerar uma comédia, conseguiu ter metade da graça que Huppert conseguiu. E por mais que o filme tenha umas pitadas de surreal, a criação de personagem de Huppert é tão realista que é fácil acreditar que a mesma história poderia acontecer muito perto da gente.




Sandrine Bonnaire
Mulheres Diabólicas
(The Ceremony / La Cérémonie)

Visão Geral: Sandrine Bonnaire também concorreu ao César por Mulheres Diabólicas, mas julgam alguns que perdeu, pois já tinha duas estatuetas em casa, enquanto Huppert não tinha nenhuma. Os mesmos dizem que Bonnaire entregou uma performance ainda melhor do que Huppert, o que não consigo concordar. Apesar de ter colocado elas nessa posição, se eu fosse dar a vitória para alguma delas, eu me sentiria obrigado a dar um empate, algo que só fiz com as protagonistas de Persona. É porque as duas performances se complementam e se retroalimentam de maneira incrível. Alguns poderiam dizer que o mesmo acontece com Thelma & Louise e mesmo assim não dei um empate para as atrizes. Acontece que por mais que Sarandon e Davis entreguem performances que se complementam em suas grandiosidades, não chegam a ser brilhantemente iguais como em Mulheres Diabólicas. A fofoqueira, bisbilhoteira e espevitada personagem de Huppert é o inverso da quase muda e melancólica personagem de Bonnaire. E é graças à existência da primeira que a segunda vai aos poucos revelando uma personalidade macabra e de dar pena e ódio. Sandrine Bonnaire abusou dos detalhes para criar sua personagem, que fala muito pouco durante todo o filme, mas a maneira com que ela vai desmascarando o caráter da personagem é tão genial que se iguala a tudo que Huppert teve muito mais oportunidade de fazer. Duas das melhores performances que já vi, sem dúvidas.



Gostaria muito de dar esta vitória para Huppert e Bonnaire, mas mais uma vez concordo com a escolha da Academia que premiou Susan Sarandon em sua melhor performance, que é uma das mais belas e esquisitas que já vi, por isso minha vitória é de Susan Sarandon em Os Últimos Passos de um Homem.




Ranking dos filmes:
The Ceremony ½
Safe 
Dolores Claiborne ½
To Die For ½
Georgia 


Ranking Geral:
1. Susan Sarandon - Dead Man Walking
2. Sandrine Bonnaire - The Ceremony
3. Isabella Huppert - The Ceremony
4. Kathy Bates - Dolores Claiborne
5. Elisabeth Shue - Leaving Las Vegas
6. Meryl Streep - The Bridges of Madison County
7. Julianne Moore - Safe
8. Jennifer Jason Leigh - Georgia
9. Nicole Kidman - To Die For
10. Julie Delpy - Before Sunset
11. Sharon Stone - Casino
12. Emma Thompson - Sense and Sensibility
13. Angela Bassett - Strange Days
14. Kirsten Dunst - Jumanji
15. Jennifer Jason Leigh - Dolores Claiborne


Supporting Actress:
1. Judy Parfitt - Dolores Claiborne
2. Kate Winslet - Sense and Sensibility
3. Jacqueline Bisset - The Ceremony
4. Mira Sorvino - Mighty Aphrodite
5. Chloe Sevigny - Kids
6. Mare Winningham - Georgia



Próximo Ano: 1956
Setsuko Hara, Sudden Rain
Deborah Kerr, Tea and Sympathy
Ellie Lambeti, A Girl in Black
Maria Schell, Gervaise
Elizabeth Taylor, Giant

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