quinta-feira, 9 de abril de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1956






Elizabeth Taylor
Assim Caminha a Humanidade
(Giant)
½

Visão Geral: Assim Caminha a Humanidade move uma legião de fãs a dizer que o Óscar de 1957 foi um dos mais injustos da história, pois este perdeu para Volta ao Mundo em 80 Dias. Não assisti o vencedor, mas Assim Caminha a Humanidade não é o tipo de filme pelo qual eu questionaria uma grande injustiça. Por mais que seja um épico muito bem conduzido, roteirizado e atuado, acho-o quadrado demais para ser tão influente atualmente. E as atuações James Dean e Rock Hudson que são boas, talvez não valessem a indicação ao óscar, nem teria valido a de Elizabeth Taylor, que na época deve ter sido considerada a grande esnobada do ano. Tenho fama de ser o maior detrator da atriz, pois não suporto sua voz e seu jeito de falar, mas nunca deixo de reconhecer que ela foi uma das atrizes mais engajadas dos anos 50, sempre entregando performances sólidas que cabem muito bem aos seus filmes. A solidez de sua atuação em Giant já era uma coisa certa, já que a personagem é muito bem criada, oferecendo algumas situações muito boas para simpatizarmos com ela, mas ao mesmo tempo, é limitada o suficiente para não deixar Taylor ir além. 


Maria Schell
Gervaise, a Flor do Lodo
(Gervaise)
★★½

Visão Geral: Já vi algumas pessoas considerarem que o fato de Maria Schell ser uma atriz lindíssima seja um caso de má escalação em Gervaise. A personagem título é sim uma mulher que sofre com um marido canalha e uma vizinhança fofoqueira, mas isso não necessariamente nos leva a crer que a personagem tem que ser feia. Qualquer mulher desprovida de vaidade e autoestima pode passar por uma situação parecida, principalmente em uma sociedade machista que reprime a mulher e seus anseios. Talvez o maior triunfo de Gervaise como filme seja realmente tocar nesta questão. Então digo que Schell se adequou muito bem ao papel, fazendo com o material o que qualquer outra atriz não faria tão bem. Os olhos quase sempre marejados da atriz cria um estigma de sonhadora para suas personagens, fazendo de Gervaise uma mulher otimista e de bom coração. Por mais que alguns possam pensar que isso qualifique uma mulher inteiramente passiva, na verdade, Gervaise tem o seu lado mais escapista, que inclusive gerou uma inesquecível cena de briga com a personagem de Suzy Delair (ótima), e também um romance extraconjugal dos mais belos e inocentes possíveis. Talvez o grande fato de Maria Schell não ser considerada uma das melhores da história se deve ao fato de que suas performances mais conhecidas tenham sido em filmes onde teve que falar em sua língua não nativa, o alemão, enquanto seus filmes na Alemanha sejam em sua maioria obscuros. Só posso dizer que quero descobrir muito mais dessa atriz.



Ellie Lambeti
A Mulher de Negro
(A Girl in Black / To koritsi me ta mavra)
★★½

Visão Geral: Fui assistir a A Mulher de Negro esperando uma grande tragédia grega com atuações típicas de Katina Paxinou e Melina Mercouri, mas me deparei com uma das performances mais sutis que já vi. Não estava acostumado com o cinema grego, e me surpreendi com uma obra que facilmente veria no cinema francês ou sueco. O filme conta a história de dois viajantes que se hospedam na pensão de uma família que um dia foi muito rica e feliz, mas que atualmente lida com a dificuldade financeira, a doença e o suicídio de um dos membros dela. É possível ver, logo na primeira aparição de Ellie Lambeti, que a personagem principal não leva uma vida feliz. Está tão estampado na aura da personagem que ela é uma mulher presa dentro de tudo que perdeu, que já sabemos muito sobre ela antes mesmo dela desabafar com um dos viajantes, com quem tem um romance escondido. O fato de a personagem ser odiada por toda a vizinhança, principalmente os homens, torna este romance algo interessante, visto que temos uma mulher descobrindo o quão bom um homem pode ser para ela. Ellie Lambeti coloca todos os sentimentos de sua personagem a flor de sua pele, principalmente nas cenas de desabafo, incrivelmente comoventes, por mais que nunca nos sintamos capazes de simpatizar com uma mulher tão frígida e sem vida.



Setsuko Hara
Chuva Repentina
(Sudden Rain / Shüu)
½

Visão Geral: Setsuko Hara é a melhor atriz japonesa que conheço. Sua atuação em Pai e Filha (1949) figura facilmente entre as melhores da história. E apesar de sua parceira com Yasujiro Ozu ser muito conhecida, suas participações nos filmes de Mikio Naruso são de igual qualidade, principalmente no filme Chuva Repentina. O que mais me agrada em Hara é que ela era capaz de diferenciar suas personagens uma das outras sem precisar mudar qualquer coisa em sua aparência ou em seu estilo de atuar. Aqui ela faz diferente de sua personagem Noriko da trilogia de Yasujiro Ozu, até porque Chuva Repentina tem uma pegada bem mais leve, quase cômica. E quão madura é Hara ao pegar toda a leveza da personagem e transformar em graça, principalmente nas cenas em que conversa com as vizinhas na rua, é de uma naturalidade que os filmes de Ozu não proporcionavam a ela. Temos também as cenas de discussão entre a personagem e seu marido que são muito realistas, mas que com a abordagem lírica de Setsuko Hara, se transforma em poesia. Qualquer pessoa que queira apreciar o trabalho de Hara deve ser avisada que é necessária muita atenção aos detalhes, porque a atriz trabalhava cada uma de suas expressões faciais e sua linguagem corporal, para nos passar todos os sentimentos de sua personagem. Bette Davis fazia muito isso, mas muitas vezes caia no caricato, coisa que nunca aconteceu com Hara. Sua atuação em Chuva Repentina é sensacional, muito maior do que parece e merece a minha vitória.




Deborah Kerr
Chá e Simpatia
(Tea and Sympathy)
½

Visão Geral: Fico espantado que Chá e Simpatia seja um dos filmes menos comentados de Vicent Minnelli, pois é talvez um dos seus mais corajosos trabalhos. Um alarde para a problemática do machismo, o filme traz Deborah Kerr na mais amável de suas personagens. Tudo o que eu não gostei em de sua performance em O Rei e Eu, aqui funciona muito bem: a preocupação com quem gosta, a polidez com que trata o próximo, a conduta repreensiva ao machismo e principalmente a química com o ator principal, que apesar de não ser um Yul Brynner, tem com Kerr uma relação muito mais memorável e convincente. Mas o que importa aqui é o resultado, e o resultado é que Kerr entregou uma das performances mais singulares de sua geração com um grau de lirismo muito raro em Hollywood, e que infelizmente é um dos seus trabalhos mais esquecidos, mesmo tendo tudo para ser icônico.



1956 foi um grande ano para Mikio Naruso que extraiu belíssimas atuações de Hideko Takamine, Kinuyo Tanaka e Isuzu Yamada e Setsuko Hara, mas minha vencedora é Deborah Kerr em Chá e Simpatia.




Ranking dos filmes:
Tea and Sympathy ½
Gervaise ½
Giant 
Sudden Rain 
The Girl in Black ½


Ranking Geral:
1. Deborah Kerr - Tea and Sympathy
2. Setsuko Hara - Sudden Rain
3. Ellie Lambeti - A Girl in Black
4. Maria Schell - Gervaise
5. Carroll Baker - Baby Doll
6. Katharine Hepburn - The Rainmaker
7. Hideko Takamine - A Wife's Heart
8. Kinuyo Tanaka - Flowing
9. Isuzu Yamada - Flowing
10. Barbara Rush  - Bigger Than Life
11. Barbara Stanwyck - There's Always Tomorrow
12. Elizabeth Taylor - Giant
13. Hideko Takamine - Flowing
14. Marilyn Monroe - Bus Stop
15. Diana Dors - Yield to the Night
16. Deborah Kerr - The King and I
17. Ann Sheridan - Come Next Spring
18. Brigitte Bardot - Et Dieu... Créa la Femme
19. Simone Signoret - Death in the Garden
20. Joan Fontaine - Beyond a Reasonable Doubt
21. Ingrid Bergman - Anastasia
22. Nancy Kelly - The Bad Seed
23. Patty McCormack - The Bad Seed
24. Lauren Bacall - Written on the Wind


Supporting Actress:
1. Anne Baxter - The Ten Commandments
2. Haruko Sugimura - Flowing
3. Suzy Delair - Gervaise
4. Marie Windsor - The Killing
5. Helen Hayes - Anastasia
6. Kyôko Kagawa - Sudden Rain



Próximo Ano: 1968
Claudia Cardinale, Once Upon a Time in the West
Julie Christie, Petulia
Mia Farrow, Rosemary's Baby
Beryl Reid, The Killing of Sister George
Liv Ullmann, Shame

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