terça-feira, 5 de maio de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 2010






Hailee Steinfeld
Bravura Indômita
(True Grit)

Visão Geral: 2010 foi um ano tão bom na categoria de melhor atriz principal, que o burburinho sobre a fraude de categoria que Hailee Steinfeld sofreu nem foi tão grande.  Na verdade, ela só abrilhantou um grupo de indicadas fraquíssimo, onde era a melhor entre todas. Não cheguei a amar sua performance, porque sua inexperiência é transparente, mas ela é a maior responsável por fazer o filme funcionar. Jeff Bridges faz de cada aparição sua um estresse para os ouvidos e, mesmo que a química com Steinfeld tenha funcionado, não mereceu sua indicação. O maior desafio de ambos protagonistas era o sotaque e, enquanto o de Bridges é irritante, o de Steinfeld soa natural. Assim, a jovem atriz vai carregando o filme nas costas, fazendo às intenções e os medos de sua personagem serem compreensíveis, se tornando a coisa mais interessante do filme, muito mais do que o bom e velho humor negro dos filmes dos irmãos Coen.



Carey Mulligan
Não Me Abandone Jamais
(Never Let Me Go)

Visão Geral: Carey Mulligan é a grande protagonista de Não Me Abandone Jamais, mas os personagens de Keira Knightley e Andrew Garfield parecem ter mais material com que trabalhar. Ainda assim, a melhor performance do filme é de Mulligan, que com pouquíssimos diálogos consegue deixar a sensação de que o filme valeu apenas por ela. Garfield, na verdade, dá grande suporte a atriz que tem seus melhores momentos ao lado dele, mas Keira Knightley com seu pouco talento, quase bota tudo a perder. Ainda assim, Mulligan tem a sensibilidade perfeita para lidar com um material pesado e fazê-lo soar mais leve, mesmo com as limitações da personagem.


Sibel Kekilli
A Estrangeira
(Die Fremde / When We Leave)


Visão Geral: A diferença dos melodramas modernos para os melodramas da era de ouro de Hollywood, é que os de hoje são bem mais crus e realistas, enquanto os de antigamente tinham certa limitação dentro da ficção. Enquanto Barbara Stanwyck arrasou quarteirão entregando uma das melhores performances dramáticas de sua geração em Stella Dallas, 45 anos depois apareceu Meryl Streep em A Escolha de Sofia em uma época em que os melodramas não tinham mais medo de serem completamente cruéis. Em 2010, foi lançado A Estrangeira, que talvez seja o melodrama mais cruel que já vi. Talvez tanta crueldade em um único filme faz com que este pareça forçado, mas graças a Sibel Kekilli o filme funciona dentro do ficcional, ao mesmo tempo que traz uma identificação com a realidade. O filme, que fez sucesso na época do lançamento, fez o passado da atriz Sibel Kekilli ser investigado, revelando que ela já tinha trabalhado com pornografia, tendo a rejeição de sua própria família. Este sendo um reflexo da realidade do filme, que conta a história de uma mulher turca que quer se separar do marido e ir viver na Alemanha, tendo a rejeição de todos os familiares. Kekilli consegue fazer as tragédias que sua personagem vive parecerem menores, fazendo dela uma mulher forte e sonhadora o suficiente para ter a nosso apoio em todas as atitudes que toma. Os atores coadjuvantes muitas vezes deixam a peteca cair, mas Kekilli está tão inspirada no papel principal que consegue carregar o filme nas costas.



Juliette Binoche
Cópia Fiel
(Copie Conforme / Certified Copy)


Visão Geral: Ai, as atrizes francesas... Ao mesmo tempo em que estou num caso sério de amor com Isabelle Huppert, Juliette Binoche implora para ser minha amante, ainda mais depois de ver sua famigerada performance em Cópia Fiel. O filme, uma das maiores obras-primas dos últimos 10 anos, gera diferentes interpretações, mas se visto como um ensaio sobre as repetições das histórias de amor e dos relacionamentos, temos um trabalho de metalinguagem muito difícil para uma atriz fazer funcionar. Enquanto William Shimell parece meio perdido, Binoche não faz erro algum. Alguns elogiam o fato da atriz falar três línguas durante o filme, outros o poder dramático dela, mas para mim o que mais se destaca nesta performance é como Binoche foi capaz de compreender um material que não apresenta muita clareza logo de vista. Assim como Naomi Watts fez mais de uma hora de duração de Cidade dos Sonhos ser uma delícia de acompanhar, mesmo esta hora sendo completamente confusa e sem explicação, Binoche consegue o mesmo aqui. Poderíamos ficar pisando em ovos ou reclamando da demora que o filme tem para esclarecer sua proposta, mas Juliette Binoche pega na nossa mão e nos traz para dentro do filme sem reclamações. Quando o filme dá uma reviravolta e as atitudes da personagem parecem bizarras, é sutilmente que Binoche nos explica o que está acontecendo. Muitos dizem que a Academia muitas vezes premia um ator por esforços feitos durante a caracterização e criação do personagem, e no caso de Juliette Binoche em Cópia Fiel, um Óscar seria mais do que justo, já que todos os esforços feitos pela atriz, numa das personificações mais detalhistas do cinema, criaram algo único e que, querendo ou não, é uma ode a arte de atuar.



Jeong-hie Yun
Poesia
(Shi / Poetry)

Visão Geral: Em 2007 Cannes premiou a brilhante performance de Jeon Do-yeon em Sol Secreto, filme sul-coreano dirigido por Lee Chang-dong, que três anos depois voltou ao festival para lançar outro filme que foca na vida trágica de uma mulher. Em Sol Secreto temos uma jovem moça perdida após a morte do marido e do filho, e em Poesia temos uma avó que descobre que o neto estuprava uma garota que se suicidara. Mas para quem acha que o filme é só sobre isso, engana-se, este apenas é o estopim para se explorar profundamente a alma de uma senhora com mais de 60 anos, mas que ainda tem seus sonhos e seus anseios guardados dentro de si. E o paradoxo que se cria entre a personagem estar vivendo uma situação poética com o fato de ela tentar e nunca conseguir escrever uma poesia é um reflexo da estagnação da mulher que sonhara, com a mulher que não realizou seus sonhos, e agora vive o Mal de Alzheimer. Muitos retratos sobre a velhice costumam pender para um certo preconceito que se tem sobre velhos serem ultrapassados e acomodados, mas Poesia nunca cai nessa fórmula, explorando a personagem não por sua idade, mas por sua alma que ainda pulsa. É fascinante ver que ainda tem gente interessada o suficiente em explorar a alma feminina de maneira tão profunda. Poesia é um filme muito maior do que parece, que mesmo focando apenas em alguns meses da vida de uma mulher, nos faz conhece-la por inteiro. Jeong-hie Yun, que durante 16 anos não participava de um filme, parecia ser a escolha perfeita para viver uma das personagens mais fascinantes do cinema, e entrega um trabalho perfeito, completamente irrepreensível. Um dos melhores estudos de personagem que já vi.



A escolha mais difícil que fiz até agora foi entre Juliette Binoche e Jeong-hie Yun, enquanto uma entrega uma performance única e que homenageou o que mais amamos, que é a arte de atuar, a outra tem a que talvez é uma das personagens mais bem exploradas do cinema. E para piorar tudo ainda tem Jennifer Lawrence brilhante em O Inverno da Alma. Minha mente a cada segundo escolhe uma, mas uma decisão precisa ser feita, mesmo que no futuro seja desfeita. E minha escolha é Jeong-hie Yun em Poesia.



Ranking dos filmes:
Certified Copy 
Poetry ½
When We Leave 
Never Let Me Go ½
True Grit ½


Ranking Geral:
1. Jeong-hie Yun - Poetry
2. Juliette Binoche - Certified Copy
3. Jennifer Lawrence - Winter's Bone
4. Sibel Kekilli - When We Leave
5. Annette Bening - The Kids Are Alright
6. Michelle Williams - Blue Valentine
7. Nicole Kidman - Rabbit Hole
8. Isabelle Huppert - White Material
9. Julianne Moore - The Kids Are All Right
10. Ruth Sheen - Another Year
11. Natalie Portman - Black Swan
12. Carey Mulligan - Never Let Me Go
13. Hailee Steinfeld - True Grit
14. Catherine Keener - Please Give
15. Keira Knightly - Never Let Me Go


Supporting Actress:
1. Jacki Weaver - Animal Kingdom
2. Lesley Manville - Another Year
3. Rosamund Pike - Barney's Version
4. Marion Cotillard - Inception
5. Kirsten Dunst - All Good Things
6. Olivia Williams - The Ghost Writer



Próximo Ano: 1930
Louise Brooks, Miss Europe
Marion Davies, The Florodora Girl
Marlene Dietrich, The Blue Angel
Norma Shearer, Let Us Be Gay
Barbara Stanwyck, Ladies of Leisure

2 comentários:

  1. I'm actually quite fond of Manville (I consider her leading) and Moore, and I'd include them in my top five. Though I've yet to see Poetry or Certified Copy!

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  2. I actually didn't like Hailee Steinfeld at all in True Grit - I felt her accent was extremely uneven, her performance dull and one-note. I haven't seen Sibel Kekilli yet but it's interesting you gave her a 5 considering I find her performance in Game of Thrones extremely weak. Love your nomination for Dunst in Supporting for All Good Things - the movie is not very good but she's fantastic.

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