sábado, 9 de maio de 2015

OSCAR ALTERNATIVO: Melhor Atriz Principal - 1930






Marlene Dietrich
O Anjo Azul
(The Blue Angel / Der blaue Engel)

Visão Geral: O sucesso imediato de O Anjo Azul em 1930 levou Marlene Dietrich e Josef von Sternberg a filmarem no mesmo ano, agora em inglês, Morocco, que deu a Dietrich sua única indicação ao óscar. Apesar de uma longa e bem sucedida carreira em Hollywood, a imagem que sobrevive de Marlene Dietrich é como a dançarina de cabaré em O Anjo Azul, papel por qual ficou tão marcada que viveu várias outras mulheres semelhantes em outros filmes. Mas a verdade é que Marlene Dietrich tem muito pouco o que fazer aqui. O filme realmente pertence à Emmil Jannings, e só pede de Marlene Dietrich um pouco de carisma, o que ela tinha. O que realmente se destaca é que Dietrich está completamente relaxada no papel, sem aquela preocupação com os enquadramentos no seu rosto e sua exacerbada vaidade, o que me fez curtir o papel mais do que deveria. Ainda assim, um trabalho superestimado.



Marion Davies
Idílio à Antiga
(The Florodora Girl)
½

Visão Geral: Marion Davies teve um relacionamento com Charles Chaplin que é considerado o maior comediante de sua geração. Talvez Davies tivesse uma reputação parecida com a de Chaplin, se sua vida social não tivesse sido mais focada do que sua carreira. A verdade é que em Idílio à Antiga, pude ver em Marion Davies muito dos maneirismos cômicos que consagraram Carole Lombard e Jean Arrhur, e apesar de ela apesar de não ter essa reputação, foi provavelmente a comediante feminina mais influente da época, principalmente por seus trabalhos no cinema mudo. Não fui muito confiante ao assistir a este filme, mas me surpreendi com uma performance que consegue ser divertida sem precisar de muito, apenas do carisma da atriz. Não há momentos grandiosos, nem de drama, nem de comédia, mas o resultado é tão correto e congruente, que não há do que reclamar. Davies fez uma transição decente para o cinema falado, e apesar de ter mantidos os maneirismos, eles nunca são algo desgastante.


Barbara Stanwyck
A Flor dos Meus Sonhos
(Ladies of Leisure)
½

Visão Geral: Algo muito comum no começo do cinema falado era filme sobre dançarinas da noite que se envolviam com homens comuns. Esse é o terceiro filme que cito aqui com esta mesma temática. Barbara Stanwyck era a atriz favorita de Frank Capra e A Flor dos Meus Sonhos foi a primeira parceria deles, e que muito bem mostra o porquê do diretor ter investido tanto nela. Stanwyck aqui nos mostra uma prévia do que faria maravilhosamente melhor em Stella Dallas. Ambos são melodramas amargos, que seriam um saco sem Stanwyck, que tem o poder de fazer a maioria dos seus filmes serem interessantes de serem vistos. A personagem principal é a mais interessante do ano, mas em começo de carreira, há algum ou outro exagero que fez Stanwyck não entregar a melhor performance do ano, o que bem poderia acontecer.



Louise Brooks
Miss Europa
(Prix de Beauté / Miss Europe)


Visão Geral: Louise Brooks é o maior desperdício da história do cinema. Pensar o quanto ela poderia ter contribuído ainda mais para o cinema, me faz odiar as injustiças cometidas com sua carreira. Apesar de americana, os filmes mais famosos da atriz são Europeus, sendo Miss Europa francês. Gravado para ser um filme mudo, com a chegada do cinema falado, Miss Europa foi dublado, mas, como Brooks não falava francês, não foi ela quem dublou a si mesma. Eu costumo detestar quando uma atriz é dublada por outra, pelo fato de ser muito difícil avaliar seu real desempenho. Mas neste caso a dublagem é esporádica e não afeta o trabalho de Brooks, que é ótimo. Tão moderno e fascinante quanto em A Caixa de Pandora. Trabalho que mistura drama e comédia e nunca perde a criação de personagem de vista. Brooks era realmente uma das grandes atrizes de cinema mudo.



Norma Shearer
Sejamos Felizes
(Let Us Be Gay)

Visão Geral: Em 1930, Norma Shearer ganhou seu óscar por A Divorciada, sucesso da MGM que trazia a atriz interpretando uma mulher, que depois de traída, decidia se divorciar. Em Sejamos Felizes, a história é a mesma, o que difere é a personagem principal, que era uma simples e mal arrumada dona de casa antes do divórcio, e depois se transformou em uma atraente e divertida mulher. Apesar de Shearer convencer na transformação, as qualidades são as mesmas de A Divorciada: uma performance que mistura drama e comédia muito bem. Os defeitos também são os mesmos, mas em menor quantidade em Sejamos Felizes. Shearer tinha uma voz irritante e forçava a sua risada muitas vezes, o que está muito mais presente em sua performance vencedora do Óscar do que aqui. Por isso, sua performance em Sejamos Felizes é muito mais interessante e divertida de acompanhar. O fato de A Divorciada ter sido sucesso e Sejamos Felizes não, influenciou muito na época, como influência até hoje nas decisões da Academia.



Sei que a preferência geral é Marlene Dietrich (O Anjo Azul), mas para mim, a melhor performance feminina do ano é Norma Shearer em A Divorciada.



Ranking dos filmes:
The Blue Angel 
Let Us Be Gay 
The Florodora Girl 
Miss Europe 
Ladies of Leisure 


Ranking Geral:
1. Norma Shearer - The Divorcee
2. Norma Shearer - Let Us Be Gay
3. Louise Brooks - Miss Europe
4. Greta Garbo - Anna Christie
5. Barbara Stanwyck - Ladies of Leisure
6. Nancy Carroll - The Devil's Holiday
7. Marion Davies - The Florodora Girl
8. Marie Dressler - Min and Bill
9. Marlene Dietrich - The Blue Angel
10. Joan Crawford - Paid
11. Greta Garbo - Romance
12. Mary Duncan - City Girl
13. Ina Claire - The Royal Family of Broadway
14. Billie Dove - A Notorious Affair
15. Ann Harding - Holiday
16. Marlene Dietrich - Morocco
17. Ruth Chatterton - Sarah and Son


Supporting Actress:
1. Marie Dressler - Anna Christie
2. Marie Dressler - Let Us Be Gay
3. Henrietta Crosman - The Royal Family of Broadway
4. Beryl Mercer - All Quiet on the Westner Front
5. Jean Harlow - Hell's Angel
6. Kay Francis - A Notorious Affair



Próximo Ano: 1950
Kathleen Byron, Prelude to Fame
Peggy Cummins, Gun Crazy
Joan Fontaine, Born to Be Bad
Barbara Stanwyck, The Furies
Nicole Stéphanie, Les Enfants Terribles

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